FENEAUTO - Continuaremos trabalhando ativamente para transformar as Autoescolas/CFC’s de todo Brasil

Até meses atrás nossos maiores problemas estavam ligados aos Detrans/Denatran e a ameaça do governo e de parlamentares à nossa atividade. Hoje temos que lidar com a pandemia que assusta o mundo e com o oportunismo gigantesco de alguns.

Há cerca de quinze dias atrás, os problemas ligados às Autoescolas de todo o País estavam estritamente relacionados aos seus respectivos órgãos estaduais de trânsito (Detrans) e temas como simulador de direção, carga horária, ensino à distância, e outros assuntos que antes faziam parte do nosso dia-a-dia.

Nem é preciso mencionar a queda vertiginosa que vinha ocorrendo na procura pelos nossos serviços e a ameaça constante em forma de projetos de lei que a todo momento assustava um setor que vem batalhando muito para cumprir legislação atrás de legislação, e mudar a imagem manchada que lhe foi atribuída ao longo dos anos.

Hoje, em meio a pandemia de coronavírus, o País está dividido politicamente entre as autoridades que apoiam o período de quarentena e a necessidade de conter a propagação do vírus, para que o Brasil não alcance os números preocupantes de países como Espanha e Itália, e outras autoridades que são a favor de priorizar a economia do que os efeitos causados na saúde pública por conta do avanço da Covid-19.

Governador de SP, João Dória, e presidente Bolsonaro trocaram acusações recentemente

Essa briga política que vem acontecendo entre governo federal e alguns governos estaduais talvez esteja atrapalhando o combate ao coronavírus e, ainda mais grave, atrasando cada vez mais a retomada de nossas atividades econômicas. O setor de autoescolas, assim como diversos outros, vem sofrendo a cada dia com as portas fechadas, sem poder dar continuidade nos serviços já iniciados e pior, sem poder gerar renda com novos serviços/matrículas.

As despesas não pararam de chegar e essas medidas emergenciais anunciadas pelo governo federal ligadas exclusivamente aos colaboradores de nossas empresas, e que são legitimas, talvez não sejam suficientes para assegurar a sobrevivência de muitas autoescolas durante esse período de crise. De todo modo, compreendemos a decisão de quarentena e sabemos de sua importância, porém quem sabe uma unificação dos discursos de nossos representantes políticos pudesse oferecer saídas e alternativas que de fato atendam a todos nós.

Diante de todo esse cenário de insegurança, incertezas e batalhas políticas, nos vemos diante de um momento que escancara a verdadeira face de muitas pessoas, entidades, organizações etc. A necessidade de cada um desses em se aproveitar do momento para ganhar espaço é preocupante e lamentável. Algumas empresas especializadas em cursos na modalidade EaD (Ensino à Distância) vêm buscando aproximação com o governo federal e governos estaduais para oferecer o curso teórico de primeira habilitação online.

Entendemos a necessidade de avanço e modernização de tudo o que envolve o processo de habilitação, mas ao mesmo tempo defendemos que esse tipo de transformação deve ser feito com amplos debates e discussões, onde todos os envolvidos possam ser ouvidos. Inclusive, modernizar o processo de habilitação era a grande prioridade de Feneauto antes de toda essa pandemia se espalhar pelo mundo.

Aqueles que deveriam OBSERVAR esse tipo de comportamento inadequado vem se apresentando como um mecanismo para que essas empresas de EaD ganhem força. Não se engane, essa ação só está favorecendo aqueles que estão vendendo o serviço. Por que tanta determinação em viabilizar o curso teórico de primeira habilitação na modalidade EaD? Todos os Detrans estão com suas atividades paralisadas. Como o cidadão poderá dar continuidade em seu processo?

A Feneauto atuou ativamente na construção da Resolução Contran nº 726 — que infelizmente foi revogada —, e que representava um avanço substancial na modernização e atualização da legislação relacionada a formação de condutores no Brasil, com destaque especial para o seu caráter pedagógico, reforçando a importância de que o curso teórico para formação de condutores deve ser feito de maneira presencial e em sala de aula.

Lamentavelmente, de maneira surpreendente, alguns dos grandes protagonistas desse trabalho estão indo na contramão do que tanto defenderam. Isso é muito triste!

A Feneauto tem plena clareza que o Brasil e o mundo mudarão após essa pandemia e mais do que nunca será necessário o debate e a troca de ideias para adequar a legislação e o setor aos novos tempos que virão.

Continuaremos trabalhando ativamente para transformar as Autoescolas/CFC’s de todo Brasil em verdadeiras ENTIDADES DE ENSINO e, consequentemente, colaborar no aprimoramento e modernização dos serviços prestados pela categoria.